Carol 2

 

Por Carol Braga

 

Quem me conhece de pertinho sabe que sou uma colecionadora de abraços. Abraçar é bom demais! Mas por outro lado tem coisa mais chata do que ter que abraçar uma pessoa que não temos afinidade ou que simplesmente não estamos com vontade? Outro dia, uma seguidora lá na página do “Conversa de Quintal” no Facebook me fez uma pergunta: E QUANDO A CRIANÇA NÃO QUER ABRAÇAR OS ADULTOS OU PARENTES PRÓXIMOS? Eu não sou especialista para responder, mas fiquei com essa pergunta “martelando” aqui na minha cabeça e resolvi então escrever algumas linhas sobre o que eu penso sobre esse assunto.

Em primeiro lugar eu acho que é preciso respeitar a vontade da criança, pois deve ser ela a decidir de que forma quer mostrar o afeto que sente por cada pessoa. Porque o abraço (e até mesmo o beijo) é, para as crianças (e para nós adultos também) algo íntimo e importante; e porque nós adultos também não gostaríamos de ser obrigados a fazê-lo, não é verdade?

abracoo

É importante sim que os pais se certifiquem de que a criança trate as pessoas com respeito e educação. Mas boa educação não tem nada a ver com obrigar a criança a oferecer afeição física a quem ela não quer. Quanto mais os pais insistirem para que ela cumprimente ou beije alguém (ainda que seja um tio bem próximo), mais ela se afastará, recusará ou se esconderá atrás de algo ou alguém. Supervalorizar uma situação nunca é a melhor saída. E ficar dizendo repetidamente, na frente da criança, que ela não faz isso ou aquilo outro, vai no mínimo reforçar um comportamento que não queremos que dure por muito tempo.

Então, nada de ficar dizendo em voz alta: “Ah, meu filho não gosta de abraçar as pessoas” ou “Ele é mal educado mesmo” por que isso só vai fazer com que a criança acredite de verdade que ela não gosta de abraçar e que é mal educada, o que torna a mudança de comportamento ainda mais difícil. Falo isso com propriedade, pois tenho um garotinho aqui de 2 anos e 5 meses que anda se recusando a dar abraços em quem ele não convive diariamente.  E não vejo problema nisso. Nessas horas, sempre explico a ele que é importante cumprimentar as pessoas, mas não o forço a dar beijos e abraços em ninguém, nem mesmo nos avós. Fico satisfeita quando ele aceita dizer apenas um Oi, ainda que timidamente e agarrado na minha perna.

Penso que abraço, pra ser gostoso, tem que acontecer “de graça” e de forma natural. E ele passará a oferecer seus abraços mais apertados à medida que for cativado e se sentir seguro nos braços de quem deseja ser abraçado por ele.

Permitir que a criança, aos poucos, tome a iniciativa de cumprimentar, a ajudará a ser espontânea com o passar do tempo. Quando as crianças se recusam a falar com parentes próximos, os pais podem ensinar à criança que é educado cumprimentar as pessoas conhecidas, dizer oi, dar um aperto de mão, beijar ou dar um abraço. Mas, de novo eu digo: os responsáveis devem respeitar o tempo da criança para que espontaneamente ela consiga fazer isso. Não adianta força-la.

 Image by © Michael Keller/Corbis

Image by © Michael Keller/Corbis

E se os parentes ficarem chateados? PACIÊNCIA! Eu acredito muito que quem gosta de verdade dos nossos filhos  é capaz de sentir o amor deles, independente de abraços ou contatos físicos de qualquer natureza. E como eu disse, não sou especialista. Por isso, se a recusa for frequente ou se notar algo diferente no comportamento da criança, converse com seu pediatra.

Carol 2Carol Braga Ferraz é mineira de nascimento e criação, campineira por “adoção”, casada, mãe do Miguel. É pedagoga de formação e como uma grande amiga gosta de dizer, “publicitária de coração”. Atualmente trabalha em sala de aula com crianças da Educação Infantil e promove Encontros Brincantes na cidade de Campinas e região, com o intuito de oferecer repertório de brincadeiras de qualidade aos pais e atividades sensoriais que estimulem os sentidos das crianças de 6 meses a 6 anos, favorecendo o desenvolvimento infantil. Seu quintal está sempre de portões abertos lá no  instagram.com/conversadequintal/   e no  facebook.com/conversadequintal/

Compartilhar: