Por Carol Braga Ferraz

Sim! Eu monto uma biblioteca particular para o meu filho, desde muito antes de saber se um dia eu teria filhos! Sim, eu leio para o meu filho desde que ele estava na minha barriga, mesmo sem ter a certeza de que ele entendia ou escutava qualquer coisa. E sim, aos 2 anos (quase 3) eu seleciono os melhores autores que consigo e imponho a leitura de alguns títulos para que ele tenha seu repertório literário ampliado. Por que eu faço isso? Não! Não é porque eu quero que ele seja o melhor aluno da classe! Muito menos porque quero que isso seja uma tentativa de tentar ajudar a alfabetizá-lo. Não, também não é uma tentativa de investir para que ele possa escrever melhor e mais rápido. Nem mesmo trata-se de ensiná-lo a nomear as cores ou distinguir nomes de animais. Nada disso!

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Não tenho interesse em apressar a infância do meu filho, obrigada! Mesmo porque, minha experiência com a sala de aula me mostra que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. Porque eu faço tudo isso então? Simples! Porque acredito que ler para uma criança pequena é uma grande oportunidade para criar vínculos com ela, além de proporcionar experiências estéticas de desenvolvimento da sensibilidade, da criatividade e da imaginação.

 

Não somente para a criança, mas para o adulto que convive e lê para ela também. Tudo que a gente precisa, de verdade, pra ser feliz e encarar o mundo dos adultos é: sensibilidade, criatividade e imaginação (o resto pode esperar). Sim, a gente aprende isso através da leitura fruição. Com um livro na mão nossas crianças descobrem o mundo, criam vínculos conosco, brincam de imaginar, se divertem e aprendem brincando. Tão simples! E a gente querendo complicar…

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Recentemente, após ler “Einstein teve tempo para brincar” *, me peguei pensando no quanto, muitas vezes, a gente erra tentando acertar. Atualmente, estamos tão obstinados em garantir a nossos filhos todas as “oportunidades” da vida, que o que no fim acabamos oferecendo é uma vida com múltiplas atividades e cheias de tensão como as nossas. Acabamos por esquecer que uma das melhores coisas que podemos oferecer a nossos filhos é uma infância simples e despreocupada. E não existe coisa mais gostosa do que sentar com um filho no colo e ler uma história para ele.

 

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Vivemos em uma época em que as revistas para pais recomendam que tenhamos pelo menos 10 minutos diários dedicados aos nossos filhos (Oi? Eu li 10 minutos?). Sim, infelizmente! Vivemos em uma época em que livros são escritos e congressos realizados  com o objetivo de convencer pais sobre a importância de ler e brincar com as crianças para o seu pleno desenvolvimento. Isso me assusta, confesso! Não conseguimos mais arrumar “pelo menos 10 minutos” do nosso dia para ficar ao lado de nossos filhos?

 

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As crianças necessitam das aulas de inglês, dos ipads e jogos eletrônicos, das atividades extraescolares, das aulas de balé e futebol muito menos do que necessitam de nós. Nossos filhos necessitam de pais que se sentem no chão (com o celular desligado, obrigada!)  pra ler uma história (sem se preocupar em ensinar nada neste momento), para brincar junto e para escutar seus relatos do que fizeram durante o dia. Nossos filhos precisam de mães que dediquem um tempo de sua rotina para fazer trabalhos manuais com eles. Necessitam de pais que passeiem com eles em uma noite estrelada, que deitem no chão para procurar as três marias ou o cruzeiro do sul, pra procurar desenhos em nuvens, que permitam que eles ajudem a fazer o jantar (mesmo que demore o dobro de tempo, afinal temos pressa de que mesmo?).

 

Não apressemos a infância, nossos filhos precisam ter o direito de saber que para nós eles são uma PRIORIDADE e que estar com eles não é uma obrigação e sim um prazer que esquenta nosso coração. E sim, pra que eles saibam disso, eu tenho pressa. Muita. E você?

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*EINSTEIN TEVE TEMPO PARA BRINCAR: Como nossos filhos realmente aprendem e por que eles precisam brincar,  Diane Eyer, PH.D, Kathy Hirsh-Pasek, PH.D, Roberta Golinkoff, PH.D, Editora Guarda-Chuva

 

 

Carol 2Carol Braga Ferraz é mineira de nascimento e criação, campineira por “adoção”, casada, mãe do Miguel. É pedagoga de formação e como uma grande amiga gosta de dizer, “publicitária de coração”. Atualmente trabalha em sala de aula com crianças da Educação Infantil e promove Encontros Brincantes na cidade de Campinas e região, com o intuito de oferecer repertório de brincadeiras de qualidade aos pais e atividades sensoriais que estimulem os sentidos das crianças de 6 meses a 6 anos, favorecendo o desenvolvimento infantil. Seu quintal está sempre de portões abertos lá no  instagram.com/conversadequintal/   e no  facebook.com/conversadequintal/

 

Ana Carolina Braga Ferraz

Educação – Literatura – Arte

Contato: conversadequintal@gmail.com

 

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