Por Carol Braga Ferraz

Janeiro sempre teve um gosto doce pra mim. O gosto doce das minhas festas de aniversário, das férias nas Minas Gerais e da preparação para a volta as aulas.

Tenho saudade de quando a única preocupação que eu tinha nesse mês era fazer a arrumação dos meus materiais escolares e escolher a cor do papel para encapar meus cadernos novos.

 

Foto: babysteps.pt

Foto: babysteps.pt

 

Saudade de poder brincar no quintal da casa da minha avó o mês inteiro, sem nem imaginar que um dia eu cresceria e minha preocupação nessa época passaria a ser os boletos de IPVA, IPTU e essas siglas todas que os adultos inventam.

 

Gosto de lembrar de Janeiro e sentir o cheiro do livro novo que fazia parte do meu material escolar. De imaginar quem seriam os amigos que continuariam na mesma classe. De olhar para as etiquetas dos cadernos com o nome da nova professora e imaginar como ela seria. De me deparar com a escrita da série nova, logo abaixo do nome da professora, e morrer de orgulho e me sentir “grande” por ter passado para a série seguinte.

 

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Cadernos de caligrafia, lápis com pontas impecáveis, a borracha metade azul, metade vermelha (que prometia apagar riscos de caneta, mas que na verdade mais rasgava minhas folhas de almaço do que cumpria o prometido). A sensação de espiar, quase que secretamente, a última página da cartilha “Caminho Suave” para ver o que eu saberia fazer até o final daquele ano letivo (quem nunca? Z de Zabumba, que raios seria isso?).

 

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Saudade de pensar que a única decepção que eu poderia ter nessa época era a de descobrir que aquela amiga que eu tanto gostava não estudaria mais na mesma classe que eu. Ou ainda a decepção de ver o papel contact enrugar ao encapar meus cadernos novinhos.

 

 

Então eu cresci. A vida adulta fez com que Janeiro se tornasse um pouco amargo com seus boletos intermináveis. Pois com exceção das minhas festas de aniversário (delas eu nunca abri mão) não tinha mais o doce das férias na casa da vó ou a arrumação do material escolar. Daí veio a maternidade. E de repente me vejo vivendo tudo isso de novo, pelos olhos do meu pequeno.

 

 

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Filhos tem o poder de nos devolver memórias. E o que seria de nós sem elas? Agora, enquanto colo a etiqueta no material do Miguel, sem que eu perceba volto a suspirar: Ah, doce Janeiro!

 

 

Carol 2Carol Braga Ferraz é mineira de nascimento e criação, campineira por “adoção”, casada, mãe do Miguel. É pedagoga de formação e como uma grande amiga gosta de dizer, “publicitária de coração”. Atualmente trabalha em sala de aula com crianças da Educação Infantil. Seu trabalho como educadora e nas redes sociais tem o intuito de oferecer repertório de brincadeiras de qualidade aos pais e atividades sensoriais que estimulem os sentidos das crianças de 6 meses a 6 anos, favorecendo o desenvolvimento infantil. Seu quintal está sempre de portões abertos lá no  instagram.com/conversadequintal/   e no  facebook.com/conversadequintal/

 

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