Por Ana Paula Rodrigues

Dedico-me ao estudo da infância e à partilha de momentos ímpares com crianças há algum tempo. Sim! Sou completamente  apaixonada pelo que faço! A convivência com os pequenos me ensina a todo momento que leveza e autenticidade deixam a vida um tanto quanto mais interessante…

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Ao longo da minha caminhada, que já passa de 20 anos, estive em contato com muitos pais e mães, na mesma proporção, é claro, que com as crianças. Afirmo que adultos que viram pais e mães ganham de brinde algumas porções: de vaidade, de orgulho, de alegria, de amor, de maturidade, de tensão, de preocupação, de realização, de responsabilidade, de olheiras, de sorrisos largos e gratuitos. Uma verdadeira montanha-russa de sentimentos e experiências! Entre dores de barriga e febres, trocas de fraldas e mamadas, o primeiro dente e o primeiro passo… Pais se tornam homens mais sensíveis e mães se tornam mulheres incríveis. Ambos não param de crescer junto do filho!

Entre tantas conquistas, um dos principais marcos da vida de uma criança é a aquisição e o desenvolvimento da linguagem. Também é o que mais inquieta e encanta o mundo adulto, tendo sido inclusive objeto de estudo de grande teóricos e pensadores, como Vigotsky, Piaget e Freud. E é exatamente sobre isto que hoje quero conversar…

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Desde as primeiras experiências em produzir sons, as crianças já deixam a família intrigada, construindo uma lista de ideias, hipóteses e apostas sobre os balbucios, tais como:

– Que gracinha, acabou de falar “mamãe”!

– Escutem… Está falando “vovô”!

– Será que chamou “papai” ou está pedindo “papa”?!

Os primeiros sons produzidos são sim representações da origem da linguagem, a princípio inatas, tão importantes quanto o choro no nascimento. Ao longo dos meses, especialmente quando a criança é cercada por adultos que dialogam muito com ela, pode-se esperar intencionalidade e reações sonoras cada vez mais próximas do que querem comunicar.

Compreendem e apontam os objetos nomeados, muitas vezes antes de falar, o que também deve ser considerado como linguagem. Passam a tentar sons específicos, por imitação, até produzirem as primeiras palavras. Por isso, deixo aqui uma dica: evitem frases infantilizadas e excesso de diminutivos. São pequenos mas podem e devem ter contato com um vocabulário rico e respeitoso. Afinal, é este o repertório que irão aprender.

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Aproveito ainda para chamar atenção para as múltiplas linguagens da criança e não somente a fala e a oralidade. O corpo, o choro, a mordida, e mais tarde, o jogo, a brincadeira, o desenho e a escrita também são linguagens e recursos de comunicação, revelando crescimento social, emocional e cognitivo.

É exatamente isto que nos diferencia dos outros seres: a capacidade de comunicar! Portanto, fale, cante, nomeie, pergunte, recite poesias, leia e conte histórias, escreva, desenhe, brinque, ensine.  Enfim, dê modelo de usuário e apreciador das múltiplas formas de comunicação e expressão… As crianças merecem!

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Ana Paula

Ana Paula Alves Rodrigues é Psicóloga Infantil, estudiosa da Psicanálise e especialista em Educação, Psicologia e Psicopedagogia. Trabalha em consultório particular com Crianças (Clínica Infantil), além de fazer formação de professores, assessoria a educadores e a pais e mães. É autora do Instagram  @ana_escuta_a_infancia onde se esforça para provocar reflexões sobre o universo infantil e suas múltiplas possibilidades, pautadas na concepção de “infância assistida” e suas linguagens.

 

?Ana Paula Alves Rodrigues
ana.escutaainfancia@hotmail.com
+055 (31) 99413-1079

Psicologia Clínica Infantil
Psicopedagogia
Formação de Professores Ed. Infantil

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