Por Larissa Coutinho Fonseca

Você sabia que sugar, mastigar e engolir corretamente são movimentos importantes para o desenvolvimento da fala? Uma criança que se alimenta mal, comendo tudo amassado ou pastoso, sem precisar mastigar também poderá ter dificuldades para aprender os sons da fala.

Alguns costumes, chamados de hábitos deletérios, tais como o uso prolongado da mamadeira com bico aumentado, chupeta e sucção digital (chupar o dedo) comprometem a estrutura anatomofuncional dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua, bochechas e palato, também conhecido com céu da boca) colaborando para as alterações de fala, afetando, em especial, a produção dos fonemas linguodentais (/t/, /d/, /n/) e dento-alveolares (/s/, /z/, /lh/).

mordida aberta

A criança, no período em que sai da amamentação exclusiva, precisa receber alimentos diferentes com consistência que aumenta gradativamente (pastoso, semi-sólido e sólido) afim de estimular o cérebro para registrar e posteriormente reconhecer os odores, sabores, consistências, ou seja, sensações provocadas pelos alimentos quando forem inseridos na boca.

A mastigação passa a servir como estímulo para o crescimento e desenvolvimento equilibrado de toda a face. A alimentação oferecida a criança tem a função de estimular ativamente a musculatura necessária para a realização adequada das funções orais. A força mastigatória está diretamente relacionada com as características pessoais (tamanho dos ossos e músculos) mas também com a experiência com alimentos de consistências diferentes.

alimentação de bebê

A maioria da população acredita que o fonoaudiólogo somente ensina a falar certo ou a falar melhor. Porém, é função da Fonoaudiologia cuidar da saúde comunicativa que consiste na interligação de processos (sistema sensório motor oral e cervical, audição, linguagem e fala) comunicativos inerentes ao ser humano.

A intervenção precoce realizada pelo fonoaudiólogo permite a inibição de hábitos, costumes e padrões que podem interferir e prejudicar a evolução do processo natural da saúde comunicativa e ao mesmo tempo estimular e orientar padrões benéficos.

Larissa

Um profissional que tem sido bastante requisitado por nós, fonoaudiólogos é o nutricionista. Ele pode orientar a família em relação aos alimentos a serem oferecidos e proporcionar estratégias para que este processo seja um sucesso.

É importante lembrar que crianças que oferecem maior resistência a introdução de novos alimentos pode e deve passar por uma avalição com outros profissionais, tais como, dentista, psicólogo e o próprio pediatra.

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Novidade! Sugestão de leitura da fono!

Todos que me conhecem sabem que sou completamente apaixonada por livros! Então vou tentar deixar para vocês, a cada novo texto, uma sugestão de leitura. E para começar e complementar o tema, o meu livro é o “Mamãe eu quero” da nutricionista Sonia Hirsch.

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Ele me ajudou muito na época em que tive que fazer com a minha filha a transição da amamentação exclusiva para a alimentação. Longe de querer substituir a intervenção do profissional da Nutrição! Mas uma bola leitura é sempre bem vinda!!!

 

Larissa Coutinho FonsecaLarissa Coutinho Fonseca é mineira de nascimento, rondoniense de coração e brotense por convicção. Graduou-se em Fonoaudiologia no ano de 1999 pela PUC de Goiás, onde começou sua paixão pela educação de surdos que a fez buscar os estudos de Psicopedagogia. Mais tarde, iniciou especialização em Audiologia e Língua Brasileira de Sinais (tradução e interpretação). Atualmente, estuda e atua em consultório nas áreas de Linguagem e Distúrbios de Aprendizagem (dislexia, alterações do processamento auditivo e TDAH). Autora do perfil @fgalarissa no Instagram.


Larissa Coutinho Fonseca
Fonoaudióloga Clínica / Especialista em Audiologia
CRFa 2 – 5412-6 
Psicopedagoga 
Intérprete de LIBRAS 
Aprimoramento em Linguagem e Transtornos de Aprendizagem: dislexia e TDAH