Por Larissa Coutinho Fonseca

Crianças com problemas de voz podem ter dificuldade para falar, ser compreendidas e ouvidas. A exigência do mundo moderno, o estímulo à competição e o estresse que a criança vem sofrendo no seu dia-a-dia são causas importantes de grande incidência de distúrbios vocais na infância. A esses fatores acrescenta-se o mau uso ou o abuso da voz durante muitas das atividades lúdicas realizadas com ela, as quais podem danificar os delicados tecidos da laringe e produzir distúrbios vocais sérios.

 

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Para os adultos que cuidam de crianças e para nós profissionais a tarefa mais importante é identificar formas de mau uso da voz e conscientizar a criança dos efeitos nocivos de tais abusos. Por isso, pensamos num texto que orientasse os pais sobre a saúde vocal infantil, bem como a melhor forma de explicar isto para as crianças.

Lembrando que o ideal é procurar ajuda profissional da FONOAUDIOLOGIA sempre que os pais notarem rouquidão persistente ou alterações vocais constantes.

 

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Portanto, pensando num vocabulário acessível para as crianças, listamos as formas mais comuns de abuso/mau uso da voz entre os pequenos. São eles:

  • Beber pouca água: quando estamos brincando ou na companhia dos amigos podemos nos esquecer de beber água com mais frequência e isso pode prejudicar a voz. Procure beber água sempre que sentir um pouco mais de sede ou quando estiver falando demais.
  •  Exagerar nas bebidas geladas e nos sorvetes: tomar bebidas geladas ou sorvetes, quando está muito calor ou com o corpo muito quente, pode fazer muito mal para sua voz. Nestes casos, procure engolir lentamente, esperando o líquido esquentar um pouquinho na boca.
  • Falar solto e fácil: isto quer dizer falar sem gritar e sem esforço. Sempre que possível procure se aproximar das pessoas para conversar e se tiver que chamá-las use gestos, assobios, batidas, palmas…
  • Falar na hora certa: quando estiver ouvindo música, por exemplo, abaixe o volume se quiser conversar com alguém. Dê chance para que todos possam falar, um de cada vez. Isso quer dizer, durante festas, recreios, jogos, shows, não competir com as vozes dos adultos e de seus colegas, ou com outros barulhos. Espere a sua vez de falar.
  • Imitar sem esforço: algumas pessoas têm facilidade para imitar as vozes dos outros, mas isso pode ser perigoso para a sua saúde vocal, se você forçar muito a garganta. Imite sons que são fáceis para você. Imitar animais, monstros, automóveis, aviões a jato com muito esforço pode fazer arder a sua garganta.
  • Rir alto ou chorar em excesso: as duas coisas podem agredir muito a nossa voz. Procure conversar com os adultos e explicar o que o deixa triste e lembre-se que a risada forte e alta também pode danificar a sua voz.

E lembrem-se: tudo que fazemos de bom para nosso corpo, ajuda também a nossa voz.

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Sugestão de leitura da fono!

E eu sabia que este dia chegaria! Indicando dois livros de uma vez!

O primeiro, “Anita, não grita!” foi escrito pela fonoaudióloga Danyelle Lopes e traz uma proposta que aborda os aspectos preventivos e os cuidados com a voz infantil. De maneira divertida, Anita convida crianças, familiares, profissionais da saúde e educadores a refletirem sobre o uso inadequado da voz e propõe ideias criativas para uma integração multidisciplinar, visando à saúde vocal.

O segundo, “Rita, não grita!” fez parte da minha infância e foi escrito por Flávia Muniz e conta a história da Rita vivia fazendo birra. Rita implicava com tudo e batia o pé por qualquer coisa, gritava á toa, por quase nada abria um bocão.

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E… Leia a história para a criançada e vejam juntos o que aconteceu com a Rita.

Larissa Coutinho FonsecaLarissa Coutinho Fonseca é mineira de nascimento, rondoniense de coração e brotense por convicção. Graduou-se em Fonoaudiologia no ano de 1999 pela PUC de Goiás, onde começou sua paixão pela educação de surdos que a fez buscar os estudos de Psicopedagogia. Mais tarde, iniciou especialização em Audiologia e Língua Brasileira de Sinais (tradução e interpretação). Atualmente, estuda e atua em consultório nas áreas de Linguagem e Distúrbios de Aprendizagem (dislexia, alterações do processamento auditivo e TDAH). Autora do perfil @fgalarissa no Instagram.


Larissa Coutinho Fonseca
Fonoaudióloga Clínica / Especialista em Audiologia
CRFa 2 – 5412-6 
Psicopedagoga 
Intérprete de LIBRAS 
Aprimoramento em Linguagem e Transtornos de Aprendizagem: dislexia e TDAH

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