Eu me defino assim: mãe da M.L. e da C., filha da Vera e do Orlando, da Ana Maria Machado e do Ziraldo, da Ruth Rocha e do Sidónio Muralha, da Eva Furnari e do Roald Dahl, da Silvana Rando e do Michael Ende, da Sylvia Orthof e do Ilan Brenman.

É que eu tenho uma profissão ordinária, que ocupa oito horas do dia, intervalo para almoço, coisa e tal, tenho minha rotina de mãe, de filha, de neta, de dona de casa, mas tenho uma identidade extraordinária, um “lado B” da vida, que é ser a “Dona Sobre”, feliz proprietária do Instagram Sobre Isso e Aquilo. Lá no “Sobre” eu conheci a Denise e o seu fantástico “Papo da Professora Denise”, e lá eu mantenho uma “Sobreria”, através da qual “prescrevo” livros para as mais variadas situações: “você tem livro sobre ciúme de irmão?”, perguntam, e eu respondo “leia ‘A Maravilhosa Ponte de Meu Irmão’ da Ana Maria Machado à noite e, no almoço, ‘Meu irmãozinho me atrapalha’, da Ruth Rocha”; “puxa, não encontrei ‘Quatro Tesouros’ do Valter Hugo Mãe… tem um outro que possa ser lido para uma criança acamada?”, lamentam, e eu, entendendo a urgência da situação, corro aos meus arquivos, consulto minha literatura especializada, e recomendo “vamos fazer uma abordagem com ‘O Livro dos Segundos Socorros’, dos Doutores da Alegria?”.Anna Cruz, a "Dona Sobre”!

Vocês devem estar se indagando “quem essa criatura pensa que é?” e eu devo registrar que não sou nadica de nada. Não sou educadora, não sou profissional de Letras, não sou médica livrologista. Eu sou apenas uma leitora “experiente”, com oito anos de atividades nesta indústria vital. Eu gosto de livros. Como canta o Caetano, para mim “os livros são objetos transcendentes, mas podemos amá-los do amor táctil que votamos aos tabletes macios de chocolate” – oops, na verdade Caetano compara com maços de cigarro, mas isso não tem sentido, então adaptei –, eu gosto de folhear, de apreciar a apresentação gráfica, de perceber a escolha das palavras e o desenvolvimento da narrativa.

Então é isso. Eu sou apenas uma leitora compulsiva e com estreitas relações afetivas com seus livrinhos. E, como todo apaixonado, eu gosto de falar disso, gosto de dar e receber dicas sobre livros e, sobretudo, gosto de dar e receber livros. A Denise me convidou para falar sobre essa paixão com vocês e eu aceitei, o que era óbvio, e por isso estarei aqui, quinzenalmente, dando vazão à matraquice monotemática.

 

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