Por Larissa Coutinho Fonseca

Refletir sobre a educação e sobre novas formas de encarar a aprendizagem tem se tornado constante, principalmente em relação à aquisição de leitura e escrita de crianças e até mesmo de adultos.

Desta maneira, as discussões sempre retomam o seguinte viés: qual o melhor método para a alfabetização? Qual deles seria mais indicado para alfabetizar e criar alunos capazes de construir seu próprio conhecimento, sendo participantes e críticos na sociedade? Esta é uma discussão antiga entre os especialistas no assunto e também entre os pais quando vão escolher uma escola para seus filhos começaram a ler as primeiras palavras e frases. No caso brasileiro, com os elevados índices de analfabetismo e os graves problemas estruturais nas redes de ensino público e privado, especialistas debatem qual seria o melhor método para revolucionar, ou pelo menos, melhorar a educação brasileira. Ao longo das décadas, houve uma mudança da forma de pensar a educação, que passou de ser vista da perspectiva de como o aluno aprende e não como o professor ensina.

A partir de tantos questionamentos, surge no cenário brasileiro Renata Jardini, fonoaudióloga, psicopedagoga, mestre e doutora pela Unicamp, Departamento de Saúde da Criança e da Adolescência, que em meados de 1985, cria o Método das Boquinhas.

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O MÉTODO DAS BOQUINHAS da Dra. Renata Jardini foi desenvolvido inicialmente para reabilitar os distúrbios da leitura e escrita, e,  atualmente é usado em salas de aula regulares, além de consultórios, escolas especializadas e APAEs de todo território nacional.

O Método das Boquinhas é um método fonovisuoarticulatório, e em sua proposta utiliza-se além das estratégias fônicas (fonema/som) e visuais (grafema/letra), as articulatórias (articulema/Boquinhas). Seu desenvolvimento foi alicerçado na Fonoaudiologia, em parceria com a Pedagogia, que o sustenta, sendo indicado para alfabetizar quaisquer crianças e mediar/reabilitar as dificuldades da leitura e escrita.

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Como se dá isto?

O Método das Boquinhas viabiliza e favorece a alfabetização a partir da conscientização fonoarticulatória e com esse conhecimento atinge-se seguramente, e de maneira rápida e eficaz, a conversão fonema/grafema, viabilizando a compreensão e utilização do sistema de escrita alfabética da Língua Portuguesa. Assim, se torna um método oralista, fônico e articulatório de alfabetização, que além de viabilizar a aquisição da leitura e escrita pela fala, fortalece a correta articulação, propiciando uma mediação pedagógica e preventiva das alterações fonológicas de fala e processamento auditivo, reforçado nas orientações de atuação da Fonoaudiologia na Educação (CRFa- 2ª região, 2010).

 

E por que Boquinhas funciona?

É sabido que o ponto de partida do ser humano na aquisição de conhecimento reside na BOCA, inicialmente exercendo a função de respirar, seguida de se alimentar e paulatinamente na produção de sons – fonemas, que são transformados em fala, meio de comunicação inerente ao ser humano. Assim, partindo-se do pressuposto de que as habilidades de falar e escutar, no que diz respeito aos sons da língua, já estariam dominadas pelas crianças, pelo menos em termos de possibilidades neurogenéticas, essas habilidades poderiam nortear o universo a ser descoberto, isto é, a leitura e escrita.

Então, partindo da BOCA, foi acrescentado ao método fônico de alfabetização, os pontos de articulação de cada letra ao ser pronunciada isoladamente a que chamamos de articulemas, ou Boquinhas. Desta forma, focalizamos a aprendizagem em uma boca concreta que produz o som, que está inserido dentro de palavras significativas, que por sua vez, estarão imersas em frases e textos.

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O trabalho direto com os fonemas e a análise fonológica orienta as crianças quanto ao sistema de sons da fala, favorecendo a ruptura do código oral e facilitando a tomada de consciência (metacognição) por parte da criança dos elementos constitutivos da linguagem escrita e de seu funcionamento, podendo compreender o sistema de escrita alfabética (SEA) mais facilmente (Domínguez 1994; Jardini e Vergara, 1997; Jardini e Souza, 2002).

Assim, a criança é levada a ler, escrever e pensar, aprendendo com maior prazer, segurança e eficiência o uso significativo da leitura/escrita, bem como adquirem maior velocidade e consciência na sua aquisição, num tempo inferior ao que levariam se comparado ao ensino tradicional. Além disso, Boquinhas estimula a criança a lidar com a língua escrita, mecanismo que a auxiliará, futuramente, a desenvolver um auto-monitoramento e outras destrezas metacognitivas importantes para construir textos significativos, interpretá-los, identificar a informação mais importante, sintetizar e gerar perguntas. Muitas crianças apresentam relatos espontâneos de que a palavra “aparece” escrita dentro de sua cabeça e assim pode escrevê-la com segurança.

 

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Parafraseando Soares (2003), acredita-se ser essa uma boa sugestão de “reinvenção da alfabetização” que sendo o passo inicial, a compreensão do processo, permite uma adequada continuidade, construindo gradativamente o letramento.

Indicação de leitura da fono!

Para trabalhar com o Método das Boquinhas, recomendo o “Kit Alfabetização com Boquinhas”.

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Ideal para quem quer conhecer devagar o trabalho, ir aplicando os exercícios um a um. Recomendado fortemente para salas de alfabetização, consultórios e pais.

As criança não se sobrecarregam de atividades e gosta muito de fazer os exercícios, principalmente as atividades do anexo de brincadeiras. 

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Para quem se interessou e quer conhecer mais…

Larissa Coutinho Fonseca é  multiplicadora certificada do Método das Boquinhas e ministra cursos e palestras sobre o  métodoA proposta  é atual e atende à demanda enquanto engloba todos os livros oferecidos para a Alfabetização com Boquinhas (Alfabetização, Aprender + e A Construção), contemplando os princípios do Sistema de Escrita Alfabética (SEA) e do Letramento. A metodologia de trabalho do curso é feita com oficinas práticas para o avanço na Psicogênese da Escrita, treino dos articulemas, exercícios dos 3 livros Boquinhas e produção textual com o Mapa de Ideias. Sua capacitação fornece elementos básicos e indispensáveis para todo profissional que almeja trabalhar com alfabetização, obtendo resultados consistentes e prazerosos.

O público alvo desse curso são professores da rede municipal ou particular de educação infantil, ensino fundamental, pedagogos, psicopedagogos, psicólogos educacionais, fonoaudiólogos envolvidos com a educação. Para maiores informações entre em contato através do e-mail: larissa@metododasboquinhas.com.br ou pelo telefone  14 99614-8979.

 

 

Larissa Coutinho Fonseca

Larissa Coutinho Fonseca é mineira de nascimento, rondoniense de coração e brotense por convicção. Graduou-se em Fonoaudiologia no ano de 1999 pela PUC de Goiás, onde começou sua paixão pela educação de surdos que a fez buscar os estudos de Psicopedagogia. Mais tarde, iniciou especialização em Audiologia e Língua Brasileira de Sinais (tradução e interpretação). Atualmente, estuda e atua em consultório nas áreas de Linguagem e Distúrbios de Aprendizagem (dislexia, alterações do processamento auditivo e TDAH) e também é Multiplicadora do Método das Boquinhas, criado pela dra. Renata Jardini e autora do perfil @fgalarissa no Instagram.

 

Larissa Coutinho Fonseca
Fonoaudióloga Clínica / Especialista em Audiologia
CRFa 2 – 5412-6 
Psicopedagoga 
Intérprete de LIBRAS 

Multiplicadora do Método das Boquinhas

Especialista em Audiologia 
Linguagem e Transtornos de Aprendizagem: dislexia e TDAH

 

Atendimento especializado nas áreas de linguagem oral e escrita, para crianças e adolescentes

Telefone: 14 99614-8979

E-mail: larissa@metododasboquinhas.com.br

Praça da Matriz  – Brotas / S. Paulo

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