Por Helen Penna

“Por que devo musicalizar o meu filho?” Essa e outras perguntas do tipo: “Quais os benefícios da musicalização infantil?”, “Como funciona uma aula de musicalização?” ou, ainda, “Meu filho irá aprender a tocar algum instrumento nessas aulas?” são feitas por muitos pais que me procuram para agendar uma aula experimental para o seu filho.

Querem saber, afinal de contas, que mágica é essa que a musicalização infantil realiza, capaz de levar as crianças a desenvolverem tantas competências de uma forma tão prazerosa.

Se entendermos que todo o desenvolvimento natural do bebê passa pela música, entenderemos a importância da musicalização. A fala, uma das aquisições mais aguardadas pelos pais, é aprendida através da escuta do som das palavras e das tentativas de repetição. Por exemplo: a criança escuta o som da palavra “mamãe” e começa a tentar repetir o que ouve. Aí, quando consegue dizer “mama”, a reação que recebe de volta é tão positiva (já que os pais a festejam e a cobrem de sorrisos) que ela passa a repetir o mesmo som constantemente.

Dessa forma, o processo de aquisição da fala vai acontecendo. Esse é apenas um exemplo que nos mostra o porquê de as crianças serem, por natureza, tão musicais.

A música tem o poder de trabalhar os dois hemisférios do cérebro ao mesmo tempo, e as pesquisas têm mostrado que a criança que foi musicalizada ainda na primeira infância possui o lóbulo frontal, responsável pelo raciocínio, mais desenvolvido. Os estímulos musicais atuam nas redes neurais responsáveis pelo desenvolvimento motor, pela atenção e pela memória.

Dessa forma, bebês que são musicalizados tendem a ser crianças mais calmas, a ter um sono mais tranquilo e um apetite melhor. Possivelmente serão mais organizadas, comunicativas, sociáveis e demonstrarão facilidade para o raciocínio, a matemática e a aquisição de outros idiomas. As aulas de música trazem benefícios não só para o desenvolvimento motor mas também para a cognição e a sociabilidade do bebê e/ou criança.

Mas por que começar aos seis meses? Na verdade, a musicalização pode ter início já no primeiro dia de vida da criança. Porém, aos seis meses, a grande maioria já consegue se sentar, já tomou as primeiras vacinas e tem uma rotina estabelecida. A mãe já consegue sair de casa para acompanhar o bebê na aula, de modo que a logística se torna mais simples e viável (e a propósito, caso você esteja se perguntando, sim: a mãe participa das aulas. A razão é que a aula visa principalmente ao desenvolvimento dos vínculos afetivos, então é recomendável fazer dela um tempo de interação entre o bebê e a mãe e/ou o pai (ou algum outro parente como uma tia, a avó etc.)).

 

Outra razão por que as aulas devem começar logo nos primeiros meses de vida é o fato de a criança estar, nessa fase, totalmente aberta a qualquer espécie de estímulo que recebe. Com isso, sua assimilação dos conceitos trabalhados é muito mais rápida.

 

 

Apesar de aos seis meses (e até por volta dos 11) o bebê estar na fase oral, e colocar praticamente tudo que lhe é oferecido na boca, é importante proporcionar-lhe desde então a oportunidade de vivenciar o universo dos sons, ritmos e melodias, a manipulação de diversos tipos de instrumento (como tambores, xilofones, sinos, maracas, etc.), enquanto ele desenvolve áreas como a psicomotricidade, a destreza manual, a concentração, a observação, a acuidade auditiva, a socialização e a compreensão das palavras.

 

São feitas várias atividades de movimento corporal com o bebê no colo de quem o acompanha, o que lhe proporciona sensações rítmicas e de diferenças de andamento, de som e silêncio, de balançar, de cavalgar etc. Já nesse início realizamos atividades com bambolês, onde a criança é colocada dentro e fora, ajudando-a a construir suas primeiras noções de espaço. As aulas de música permitem que o bebê e a criança vivenciem o universo dos sons, ritmos e melodias, aprimorando suas habilidades musicais e, juntamente com elas, todas as outras áreas citadas acima.

 


Alguns pais pensam que a musicalização é algo que deve ser inserido na vida de um bebê/criança apenas por um certo período, como por exemplo, dos 6 meses até a entrada na escolinha, por 1 ano, ou por alguma outra faixa de tempo. A aula de musicalização traz benefícios contínuos às crianças e a não interrupção do trabalho é importante para que a criança não perca esse elo com a arte e se desenvolva cada vez mais.

 

A intenção deste primeiro texto é expor algumas das coisas que estarei tratando ao longo das minhas postagens e a minha intenção é que vocês possam também se apaixonar por esse universo.

 

Helen Penna é bacharel em flauta transversa pela Universidade Estadual de Minas Gerais e professora de musicalização infantil em Belo Horizonte. Tão logo se graduou na universidade, descobriu que sua paixão não era propriamente tocar numa orquestra, mas, sim ensinar música. Por um feliz acaso da vida passou a dar aula de musicalização para bebês e crianças e descobriu o caminho que trilha até hoje. É autora do Instagram @musicalizacaoinfantil e da página no facebook/musicalizacaoparacriancas , ambientes que a possibilitam a unir a paixão pela fotografia, (ela mesma fotografa seus materiais) e o amor pela profissão, evidenciado nas postagens de suas atividades e de vídeos com seus alunos.