Por Carol Braga

Há muito tempo que a criatividade é tema de estudos, discussões e treinamentos. Antigamente,  a pessoa criativa era considerada como aquela que possuía um dom ou havia recebido uma dádiva divina. A criatividade era privilégio de poucos. Hoje mudou-se a postura, passando a criatividade a ser vista como um diferencial em todas as atividades de nosso cotidiano.

Atualmente não dá para falar em sucesso, sem considerar a capacidade de inovar e de encontrar soluções que fujam do senso comum. Por isso, cada vez mais pais se preocupam em desenvolver o lado criativo dos seus filhos.  Mas muitas vezes, seguem o caminho errado,  matriculando os filhos em escolas caras ou fazendo com que eles realizem dezenas de atividades extras. A parte boa da história é que as crianças já nascem cheias de criatividade, mas é preciso saber como despertar e manter esse potencial desde cedo. O primeiro passo é construir um ambiente familiar que favoreça esse desenvolvimento.

Fingerpainting

Algumas dicas simples podem ajudar a despertar o lado criativo das crianças:

  1. Reveja seus conceitos sobre bonito ou feio, certo ou errado, de menino ou de menina. A capacidade de criar, muitas vezes, se perde com o passar do tempo, porque deixamos de incentivar ou reforçar um talento. Se a criança pinta, por exemplo, uma árvore cor de rosa, ela não deve ser corrigida. Desenhos inusitados fazem parte do processo criativo. A criança sabe que não existem árvores cor de rosa, mas é nesse momento que recorre ao repertório que dispõe para inventar o novo, recriar. Um céu pintado de vermelho, que em um primeiro momento pode causar estranhamento para o adulto, pode ser simplesmente a representação de um fim de tarde com pôr do sol que a criança assistiu em algum momento.painting-on-the-floor
  2. Abra possibilidades para seu filho se expressar com autonomia. O novo surge ao pensar diferente, e não de copiar o que todo mundo já faz. Não é porque todos pintam o céu de azul, que eu também preciso fazê-lo. Evite comentários depreciativos, sobretudo a respeito de algo realizado com tanto esforço pela criança. O desenho pode não estar esteticamente bonito, segundo os padrões de beleza que você quer que o seu filho alcance, mas com certeza a representação faz muito sentido para ele, naquele momento. Dizer que ele não fez direito pode causar barreiras para a expressão da criatividade. Lembre-se: não existe jeito certo ou errado e sim jeitos diferentes de se fazer e criar algo. Incentive seu filho a cuidar do aspecto final daquilo que faz, mas sem exigir padrões pré-estabelecidos.kids-decorate
  3. Quanto mais estimuladas as crianças se sentirem, mais motivadas ficarão para exercitar a imaginação com espontaneidade. O que a criança vivencia pode fazer toda a diferença na expressão da sua imaginação. Portanto, para exercitar o potencial criativo da criança, experimente colocá-la em contato com a natureza ou criar brinquedos com ela, ao invés de comprar brinquedos prontos. Rolinhos de papel higiênico e botões podem se transformar em carrinhos, por exemplo. Ofereça materiais não estruturados (elementos da natureza, embalagens descartáveis, retalhos de tecidos, caixas vazias, diferentes riscadores e suportes, utensílios domésticos, como colheres de pau, pegadores de macarrão, esponjas, entre outras possibilidades) para a criança imaginar, criar e brincar livremente. Você vai se surpreender com a capacidade das crianças de transformar objetos simples em brinquedos incríveis.Cardboard-Tubes
  4. Além de ter boas ideias, é preciso ensinar as crianças como concretiza-las. Não adianta disponibilizar um monte de material para o filho e querer que ele seja criativo. Em um primeiro momento, permita que a criança tente fazer suas próprias criações. Esteja por perto, para que ela saiba que pode contar com você, se precisar. Depois, se for preciso ofereça repertório e construam modelos juntos de como fazer algo. A partir dessa experiência, a criança passa a se sentir mais segura para criar com autonomia nas próximas oportunidades.

Carol 2Carol Braga Ferraz é mineira de nascimento e criação, campineira por “adoção”, casada, mãe do Miguel. É pedagoga de formação e como uma grande amiga gosta de dizer, “publicitária de coração”. Atualmente trabalha em sala de aula com crianças da Educação Infantil e promove Encontros Brincantes na cidade de Campinas e região, com o intuito de oferecer repertório de brincadeiras de qualidade aos pais e atividades sensoriais que estimulem os sentidos das crianças de 6 meses a 6 anos, favorecendo o desenvolvimento infantil. Seu quintal está sempre de portões abertos lá no  instagram.com/conversadequintal/   e no  facebook.com/conversadequintal/

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