Por Anna Cruz

Na minha casa – e possivelmente em uma casa perto de você – há uma criança que quer usar internet, ser Youtuber, fazer sucesso na rede mundial.

Sabemos que a  vigilância ininterrupta é impossível a partir de determinada idade. Por isso é preciso, eu acredito, estabelecer combinados e reforçar a confiança neles sobre o uso da internet.


Aqui vão algumas orientações que dou a ela e que acho que podem ser úteis para outros adultos – e pra outras crianças – em mesma situação:

 

1- A busca no Youtube ou no Google é baseada em combinação de palavras e não separa resultados interessantes dos grosseiros, perigosos ou errados. Se você digita “Barbie”, obterá como resposta tanto vídeos de novelinhas quanto gravações de uma mulher adulta chamada Barbie ou de algum aproveitador, que usa o nome “Barbie” para chegar mais perto das crianças.

 


2- Não estou com você as 24 horas do dia e não poderia – nem desejaria – ter vigilância ininterrupta. Então, precisamos combinar o que é possível assistir, quando, por quanto tempo e como. Da mesma forma que quando você brinca na casa de uma amiga longe de mim, preciso confiar que na minha ausência os nossos acordos serão cumpridos.

 

Foto via www.themoneypages.com

3- A internet é para sempre, mas raramente sabemos o que queremos para sempre. Expor suas opiniões, sua escola, sua casa ou seu corpo na internet tem consequências eternas: o que for publicado na rede, mesmo que por poucos minutos, pode ser salvo, guardado por outra pessoa, pelo tempo que ela quiser.

4- Os perigos da internet são reais. Há sequestradores, pedófilos, golpistas, “haters”,  pessoas más… Você, sendo criança, não deveria ter que se preocupar com isso.

 

Foto via www.ut.ee

 

5- Copiar os amigos nem sempre é uma boa ideia. Todo mundo fazer a mesma coisa é chato e nada original. Além disso, cada pessoa tem sua história, cada família tem suas regras (!), uns podem o que você não pode e nossas responsabilidades são sempre individuais. Entender que somos únicos é fundamental também para que não percamos nossa marca, nossa individualidade.

 

Não estou aqui pra dizer como as pessoas devem criar seus filhos – afasta de mim esse cálice! -, nem para propor uma volta à Idade da Pedra, mas como evitar “cabeças quadradas” é uma cruzada também nossa, achei que poderíamos trocar ideias sobre como se relacionar com internet, privacidade e responsabilidade.

 

Sugestão de leitura @sobreissoeaquilo

Os livros podem ser aliados e ajudar na conversa sobre mídias e internet. Sugiro a leitura desses dois ótimos títulos:

Sobre o mundo cada vez mais quadrado. Sobre precisarmos de gente que pense e aja redondo – afinal, só assim apararemos as arestas. Sobre estimular uma infância que valorize todas as formas de brincar – e não só aquelas de lados iguais, massivas e passivas. “A Menina da Cabeça Quadrada”, escrito por Emília Nuñez, da Editora Tibi, é um livro gracinha demais e aqui nos rendeu contações divertidas com a nanoestagiária C. e com a miniestagiária M.L. (que perguntou à autora o que ela achava de escrever um livro quadrado com um lápis redondo).

 


Sobre o poder da televisão. Sobre publicidade infantil. Sobre Ruth Rocha. Livro “No Tempo Em Que a Televisão Mandava No Carlinhos…“, escrito por Ruth Rocha, da Editora Salamandra.

 

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Destacada ANNAConheça a Anna!

Anna Cruz é mãe da M.L. e da C., filha da Vera e do Orlando, da Ana Maria Machado e do Ziraldo, da Ruth Rocha e do Sidónio Muralha, da Eva Furnari e do Roald Dahl, da Silvana Rando e do Michael Ende, da Sylvia Orthof e do Ilan Brenman. Conhecida também por “Dona Sobre”, por conta do perfil do Instagram  @sobreissoeaquilo

 

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